Debate foi uma ação do colegiado para marcar o Dia da Consciência Negra. Foto: Lourival Maia/Alepe

Os índices de violência contra negros e o racismo religioso foram temas tratados, nesta segunda (20), em audiência pública promovida pela Comissão de Cidadania da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). O debate foi uma ação do colegiado para marcar o Dia da Consciência Negra. A data homenageia Zumbi dos Palmares, morto em 20 de novembro de 1695.

Cartazes expuseram estatísticas de crimes em que os negros são as principais vítimas. Foto: Lourival Maia/Alepe

Cartazes expuseram estatísticas de crimes em que os negros são as principais vítimas, como homicídios, nos quais 70% dos casos são cometidos contra jovens dessa raça. A violência contra o sexo feminino também foi destacada nos cartazes: “A cada seis mulheres assassinadas no Recife, cinco são negras”. “O grau de opressão em que vivemos é alto. Nunca vemos redução das estatísticas”, observou Mônica Oliveira, da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco.

Ao citar levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que apontou o aumento da vulnerabilidade social no Recife, ela criticou o número de homicídios contra essa parcela da população: “Há 40 anos, o movimento negro denuncia o genocídio racial praticado no Brasil. Quando não mata, prende”. Mônica pontuou, ainda, que “uma agenda voltada ao segmento não foi plenamente incorporada até hoje”. Promotor de Justiça do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Westei Conde também lamentou as estatísticas e mencionou a importância de a sociedade enfrentar o racismo institucional.

Acerca do tema racismo religioso, a ialorixá e professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Denise D’ogum Botelho citou casos de perseguição aos terreiros e criticou a interpretação que se faz dos rituais da cultura negra: “Não fazemos abate de animais, mas consagração”. Ela também chamou atenção para a necessidade de reconhecimento do povo negro no Brasil. “Zumbi não tem o mesmo tratamento de outros heróis nacionais e um geógrafo como Milton Santos, enaltecido internacionalmente, não é valorizado nem no curso de Geografia”, elencou.

Destacando que o Estado é laico, o presidente da Comissão de Cidadania, deputado Edilson Silva (PSOL), censurou algumas ações do Governo Estadual: “Não participam conosco da caminhada de terreiros, mas ficam de joelhos para um pastor”, frisou. O parlamentar comentou, ainda, o fato de os novos integrantes do Conselho Estadual de Direitos Humanos não terem sido empossados, apesar de eleitos em julho: “Precisamos garantir o conselho, que é um dos mais atuantes do Estado e luta contra a política de encarceramento em massa”.

Integrante da Igreja Universal há 37 anos, o deputado Bispo Ossesio Silva (PRB) pediu a união do povo negro. “Não podemos nos dividir por critérios religiosos. Vamos nos apoiar. Se não for assim, não chegaremos a lugar nenhum”, afirmou.

 

Mimo – A ação da Polícia Militar na Mostra Internacional de Música de Olinda (Mimo), nesse domingo (19), também foi questionada durante a audiência pública. Participando do encontro, a estudante Nohara Bacalhau relatou estar presente quando alguns jovens foram “abordados de forma bastante agressiva”.

De acordo com Nohara, o grupo estava realizando uma roda de coco “quando foi surpreendido com a ação repressiva dos policiais”. O promotor Westei Conde instruiu o grupo a procurar o Ministério Público.

Comissão de Cidadania da Alepe discute racismo e violência contra população negra
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